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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Global Game Jam 2012 - 48 horas de ADVENTURE!


E aí pessoal, tudo bem? Sou o Lucas Xavier, e fui convidado a escrever uma matéria especial sobre o Global Game Jam, uma megamaratona que ocorreu em todo o mundo durante este final de semana, entre 27 a 29 de Janeiro. Mas antes de adrentarmos nesse mundo regado a junk-food, energético e madness, deixe-me explicar o que é essa budega de “jam”. São eventos que ocorrem ao redor do mundo, com o objetivo de criar um game em um tempo estipulado geralmente de 48 a 72 horas. Sente o drama. Lembrado: essa é a visão de um “jammeiro” de primeira viagem, então não esperem um enfoque mais sério. E assim começou a epopéia, meus pupilos...

Get ready? Go!

Dia 27 – Formando a guilda e se inspirando na alquimia

Chegada na sede de Campinas, no Instituto de Computação da Unicamp. Enquanto espero meu time, bato um papo com alguns manolos aleatórios que mais tarde descobrirei que são da Taw Studio.

Alguns minutos se passam, meus colegas de aventura chegam, damos uma saída para comprar mantimentos e voltamos bem a tempo de ver os keynotes (vídeo de abertura do GGJ e conselhos de alguns desenvolvedores – esse ano Will Wright, que é apenas o pai de The Sims, nos deu o ar da graça) e o tema. Aí que a cobra comeu. Literalmente.

Geralmente o tema é uma palavra. Olha o que apareceu pra todo mundo no painel:

nhom nhom nhom

E abaixo a reação de todos os jammeiros do mundo:

é, agora ferrou!

Todo mundo voltou paras as respectivas salas, e começou a rolar um brainstorm maluco. Por final, meu time decidiu fazer uma espécie de plataforma, mas não tinhámos um roteiro definido. Apenas que tinha uma cobra. E um rabo. Enquanto alguns arrumavam suas coisas, outros ligavam para o fast-food, alguns enchiam seus colchões de ar e outros... sei lá, ainda não consegui entender essa bendita cobra.

A empresa desse manolo deve ter faturado bem nesses 2 dias...


Sério, ainda tô confuso cossapohan...

E os salvadores da pátria aguardando sua hora de brilhar!

Dia 28 - Jack Bauer, microondas e mortos-vivos

De pé novamente, me ofeceço pra fazer um café pra galera, o que parece não ter sido recebido com muita alegria por alguns. Oras, café é a pilha alcalina do corpo humano, bem como é demonstrado nesse episódio do Regular Show:



 Everybody's working for the weekend!

Brincadeira pessoal, sei que tem gente que não precisa de café. Pedro Medeiros, do Miniboss, me empresta cordialmente sua chaleira elétrica. Só depois eu fui saber que este ser mítico me emprestou tal objeto dos deuses.
    
E já dava pra perceber um certo contraste entre as salas. Haviam 3 labs, e em duas basicamente estavam só profissionais, dava um orgulho estar ali no meio. Enquanto o café ia sendo feito, batia mais um papo com um dos integrantes do Taw que citei anteriormente, o Marcelo. Basicamente a história deles como uma empresa de games é igual a de qualquer outra: começaram no fundo do quintal dos pais e agora estão engrenando. Depois do café da manhã, meu time já tem uma idéia básica do tema do jogo e começa a desenvolver.

Profissionais gonna profissionar. E tinha um monitor de tubo aí no meio.

Todo mundo programando ainda, e na hora do almoço, e me surpreendo com 3 coisas: a montanha de Cup Noodles adquirida pelo Marcelo, Lucas Jock e sua patota, eu quase explodindo o microondas do Miniboss e a panela elétrica que ninguém conseguia entender como funcionava porque estava toda em japonês, lulz. Se você for no próximo e souber cozinhar, lembre-se de levar panela, arroz e alho e fique rico em 2 dias!

Apenas uma das pequenas encomendas feitas pelo organizador a pedido da galera...

Algumas equipes já haviam terminando o game de tarde e já partiam pro segundo. E começamos a olhar o relógio com outros olhos...


f***eu Jack Bauer!

Mesma rotina de tarde, todo mundo finalizando seus respectivos games e dando os toque final, tais como procura de bugs e outros. Trocamos algumas coisa, limamos algumas outras e adicionamos outras mais. Chega a noite e alguns continuam de pé, outros vão dormir, um manolo habilidoso começou a tocar magistralmente um violino, e assim segue esse épico da destruição dos neurônios. De repente, resolvemos mudar o escopo do nada.


é jão, tá fácil pra ninguém

Ah, e preciso fazer uma singela homenagem à mala sussa:

Ela vigia seu colchão pra você. Adorável.



Dia 29 - Tango Down

A mudança foi necessária, e estávamos realmente perto de finalizar o game. Nosso grupo e mais alguns ainda batalhavam contra o tempo, e o resto dava o acabamento. Assim foi, até as 15h. Todos conseguiram, menos meu time.
    
Não culpo ninguém, meus companheiros de aventura nunca haviam mexido com games e, dada a engine utilizada (Unity3D), considero o projeto até onde tinha chegado uma verdadeira vitória. Assim, acabou o primeiro GGJ na Unicamp. Ainda houve a apresentação dos games, mas infelizmente não pude assistir, tive que pegar minha condução de volta.

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Se foi bom? Sim. Muito. Você aprende muito nessas 48 horas, seja como fazer tal acabamento final no Photoshop, qual seria a melhor batida sonora para tal parte do game, qual a quantidade certa de água deve ser posta na panela, e outras pequenices. Se você quer seguir nessa área, é altamente recomendável ir em um Jam. E o pessoal já está elaborando um Carna Jam, veja só.

Bem, é só isso. A matéria foi longa, mas foi escrita com carinho ( e com sono, devia ter entregado isso terça-feira...). Espero que tenham gostado, e, quem sabe, eu não volte aqui pra falar sobre o SPJam.

Agradecimetos: ao meu time, que não abaixou a cabeça em momento nenhum, ao Bruno Melo por ter gerenciado todo o GGJ like a boss, aos integrantes do Taw Studio e a sua motivada, a Patricia De Carli pela bela sacada da segunda imagem e ao Marcus Oliveira and Marina Val, que ficaram lá durante todo o tempo e cederam gentilmente algumas fotos aqui exibidas. Leiam a matéria dele também, ele fez um excelente texto!